No decorrer dos século, entretanto, algumas de suas práticas e, sobretudo, o comportamento de padres, bispos e até do papa começaram a ser questionados.
No século XVI, o poder e a influência da Igreja seriam profundamente abalados por um movimento de contestação à autoridade e à doutrina católicas.
A autoridade do Papa é contestada
Até o final da Idade Média, os cristãos da Europa ocidental permaneceram unidos em torno da autoridade do papa, que era o chefe máximo da Igreja católica. No inicio da Idade Moderna, porém, alguns cristãos passaram a protestar contra o que o consideravam abusos das autoridades religiosas, chegando a romper com a Igreja de Roma.
Nessas contestações, destacaram-se a figura de Martinho Lutero, que fundo o luteranismo no Sacro Império; Calvino que criou o calvinismo na Suíça; e de Henrique VIII, que iniciou um movimento de protesto e rebeldia na Inglaterra, dando origem ao anglicanismo.
Todos esses movimentos receberam o nome de Reforma ou Reforma Protestante.
A Igreja católica não ficou passiva perante esses movimentos de contestação. Combateu os protestantes muitas vezes com repressão, mas também deu inicio a uma série de modificações em suas práticas, assim como no comportamento de seus membros. Essa reação da Igreja católica aos movimentos protestantes é chamada de Contra Reforma ou Reforma Católica.
Reforma Protestante
O movimento de Reforma iniciado no século XVI tem sua origem questões de ordem religiosa, política, econômica e cultural.
Questões religiosas
até a época da Reforma, as pessoas que viviam com me do inferno e sentimento de culpa, causados pela ideia de pecado, buscavam o perdão e a salvação por meio de orações e doações de bens e dinheiro à Igreja.
Os papas e os bispos viviam no luxo. Nos mosteiro, os abades interessavam-se apenas por seus ganhos e negligenciavam as obrigações religiosas.
No século XV, o cônego de Langres, Nicolas de Clamagnes, descreveu assim os abusos da Igreja:
Como podemos suportar que ninguém possa se tornar clérigo sem antes pagar um alto preço, e que ninguém possa receber os sacramentos sem pagar antecipadamente uma certa soma em dinheiro? Muitos bispos nunca estiveram em sua cidade, nunca viram sua igreja e nem visitaram sua diocese (...).
Quantos cardeais, eles têm o coração tão duro, a palavra tão arrogante, o gesto tão insolente que, se um escultor quisesse representar a imagem do orgulho, não poderia fazê-lo melhor do que apresentar a imagem de um cardeal.
Esses abusos eram malvistos por muitos fiéis. Eles desejavam que os religiosos tivessem uma prática mais próxima daquela dos primeiros cristãos, ou seja, queriam uma reforma na Igreja.
Questões econômicas
Dona de terras e beneficiária de muitos tributos feudais, parte da Igreja condenava as atividades burguesas. Ela afirmava que a prática comercial "não era agradável a Deus". Assim, o comércio, a busca do lucro e, principalmente, a usura (o empréstimo de dinheiro a juros), acabavam muitas vezes sendo interpretados como pecado.
Esse posição da Igreja conservava um pensamento tipicamente feudal, que desagradava os burgueses.
Além dos burgueses, existiam ainda reis e nobres feudais contrários a Igreja, porque tinham interesse em se apoderar de suas terras.
Finalmente, as cobranças de impostos feitas pelo papa esgotavam as regiões mais ao norte da Europa e enriqueciam lugares próximos da península Itálica, onde ficava a sede da Igreja. Os governantes da Europa do norte sentiam-se explorados.
Assim, havia muitas pessoas descontentes com a Igreja, interessada sempre em ampliar sua riqueza, o que criava um clima de insatisfação geral, propício para movimentos de reforma.
Questões políticas
O papa tinha grande poder sobre diversas regiões da Europa, interferindo constantemente nas questões políticas desses lugares. Com a centralização do poder na pessoa do rei, começou a surgir forte oposição à interferência estrangeira e, portanto, ao papa.
Questões culturais
Para os renascentistas, o ser humano se configurava como o ponto central de suas preocupações. Esse pensamento, que se difundiu pela Europa, fez com que muitas das crenças católicas passassem a ser discutidas.
com o desenvolvimento da imprensa, difundiram-se conhecimentos e o hábito da leitura, inclusive da Bíblia, que passou a ser impressa, não só em latim, mas também nas línguas regionais. Esse acesso ao conhecimento, que durante muitos séculos foi privilégio de uma minoria, contribuiu para aumentar a difusão de ideias entre a população, fazendo com que muitas pessoas deixassem de aceitar passivamente a doutrina da Igreja.
O Inicio da Reforma: Lutero
O fato que precipitou a Reforma Protestante foi a venda de indulgências. Indulgências é o perdão tal ou parcial dos pecados. Segundo os ensinamentos da Igreja Católica na época, era possível para o fiel obter a salvação de sua alma após a morte comprando indulgências da Igreja. Esse comércio, evidentemente, acabava tendo duas funções: tranquilizava a consciência das pessoas e enriquecia a Igreja.
Para apressar a construção da basílica de São Pedro, em Roma, o papa Leão X encarregou a ordem dos dominicanos de vender indulgências. Embora essa fosse comum na época, esse fato acabou provocando um conflito sério no Sacro Império (região da atual Alemanha) em 1517, o monge Martinho Lutero se desentendeu com o dominicano Tetzel, que vendia indulgências em nome do papa.
Lutero reagiu, afixando na porta da igreja de Witenberg um documento que além de condenar a venda de indulgências, punha em discussão outros aspectos da doutrina e das práticas da Igreja Católica.
A Reforma Calvinista
Além de Lutero, surgiram na Europa muitos outros críticos às práticas da Igreja católica. Na França, apareceu João Calvino, que foi obrigado a abandonar o país por defender as ideias de Lutero. Depois de fixar-se na Suíça (1536), Calvino desenvolveu os princípios mais radicais da doutrina de Lutero, sob a influência da mentalidade mercantil do país que adotara como seu.
Ele passou a dar destaque à ideia de que a prosperidade alcançada por meio do trabalho é sinal de Deus.Isso indicaria que uma pessoa alcançou a salvação de sua alma.
A formação dos sistema econômico do período moderno, com a busca do lucro e o acúmulo de riquezas, foi muito influenciada pelos valores do calvinismo, que encorajava o trabalho e o lucro e condenava os prazeres e os gastos. De acordo com o calvinismo, o dinheiro acumulado não deveria ser desperdiçado e sim guardo e reinvestido,
Por corresponder aos interesses da burguesia, o calvinismo expandiu-se par aos países onde o comércio era mais desenvolvido. Na França, os calvinistas ficaram conhecidos como huguenotes; na Inglaterra, como puritanos, na Escócia, como presbiterianos. Na Holanda, fundaram a Igreja Reformada.
A Reforma Anglicana
Na Inglaterra, a Reforma foi imposta pelo rei Henrique VIII e recebeu o nome de anglicanismo. Henrique VIII havia solicitado ao papa a anulação de seu casamento com Catarina de Aragão, par casar-se com Ana Bolena. Diante da recusa do papa, usou isso como pretexto para fazer com que o Parlamento lhe outorgasse o título de chefe supremo da Igreja na Inglaterra.
A Igreja da Inglaterra separou-se de Roma, mas conservou boa parte da doutrina católica. Por causa disso, os puritanos (calvinistas ingleses) entraram em choque com os anglicanos, gerando inúmeros conflitos que, no século XVIII, provocaram emigrações maciças para a região da Nova Inglaterra, na América do Norte.
Consequências da Reforma
As principais consequências da Reforma foram as seguintes:
- enfraquecimento do poder político da Igreja católica;
- aumento do poder dos reis, que deixaram de sofrer a interferência do papa nos assuntos de seus países;
- fortalecimento dos ideais burgueses, principalmente com a difusão da filosofia calvinista que justificava o lucro;
- difusão da instrução religiosa, pois os protestantes passaram a ler a Bíblia (traduzida em alemão por Lutero e, em francês, por Calvino) e os católicos a aprofundar seus conhecimentos sobre a doutrina da Igreja;
- estímulo à participação dos fiéis nos cultos religiosos;
- origem de conflitos religiosos entre católicos e protestantes, cada qual pretendendo aumentar sua influência. Na França, por exemplo, houve a Noite de São Bartolomeu (1572), ocasião em que mais de 30 mil protestantes foram assassinados por católicos. Frequentemente, esses conflitos tiveram participação dos governos, para favorecer seus interesses políticos;
- surgimento, em alguns casos, de ideias mais radicais referentes à reorganização da sociedade, de acordo com a justiça de Deus. Isso aconteceu principalmente no Sacro Império reja coo no tempo onde um grupo de camponeses liderados por Thomas Muntzer, além de pretender a volta de uma Igreja como no tempo dos apóstolos, queria a abolição da propriedade privada e a instalação de um regime comunitário de propriedade da terra. Não tiveram o apoio de Lutero, e a revolta camponesa, que pretendia implantar esses ideias, foi duramente reprimida pela nobreza. Tanto Lutero quanto os nobres queriam apenas uma reforma religiosa e não uma revolução social;
- criação do movimento da Contra Reforma, reação da Igreja católica à Reforma Protestante
A Contra Reforma
Como reação ao movimento protestante, a Igreja católica adotou uma série de mediadas, que ficou conhecida como Contra Reforma. As principais iniciativas do papa e do clero católico foram: a convocação do Concilio de Trento, a criação da Companhia de Jesus e intensificação das atividades do Tribunal do Santo Ofício. Concílio é uma reunião, sob a direção do papa, de todos os bispos da Igreja, a fim de decidir sobre assuntos importantes da doutrina católica.
O Concilio de Trento, dentre outras medidas, condenou a doutrina protestante e confirmou integralmente a doutrina protestante e confirmou integralmente a doutrina católica; aconselhou a formação dos sacerdotes em escolar especiais, os seminários; determinou a publicação de um resumo da doutrina cristã, o catecismo,; instituiu o Index, uma relação de livros proibidos pela Igreja; reafirmou os sete sacramentos e o valor das indulgências.

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